
Antes de tudo queria reverenciar os atores, produtores, câmeras e o diretor desse filme. Sinceramente. O Melhor da década na minha opinião - digo isso pensando em trilha sonora, fotografia, atuação, roteiro e tudo o que pode transformar um filme NO FILME.
O título original Closer (Inglaterra,2004) remete a toda essa confusão de sentimentos que o filme aborda, a toda troca de casais que parecem mesmo se amar e desamar num estalar de dedos e vão criando relações de dependência com aquele sentimento que nós, aqui do outro lado, não sabemos se realmente existe.
A primeira cena do filme é arrebatadora. Primeiro, créditos a música de Damien Rice "The Blower's Daughter" e, segundo, a fantástica personagem de Natalie Portman (Alice/Jane) que vem caminhando no meio de uma multidão ao encontro de Daniel(Jude Law), pelo menos é o que a gente acha, mas não, eles vão se conhecer após uma tragédia que dará continuidade a cena. A partir daí mais nada no filme é convencional, mas é verdadeiro e você certamente se encontrara em um dos quatro personagens.
O diretor inglês Mike Nichols adaptou o roteiro de uma peça inglesa do escritor Patrick Murber. O texto traz todos aqueles diálogos ousados que podemos ver no filme, aquele embate a flor da pele entre a personagem de Julia Roberts(Anna) e o de Clive Owen(Larry) quando ele diz que transou com uma prostituta e ela diz que tudo bem, e então, inicia uma conversa afiada que faz a gente querer sair da sala, caso estejamos assistindo o filme com nossos pais.

A história é essa mesmo, a relação corrosiva que se dá entre essas 4 pessoas. O quanto uma pode machucar a outra, e como essa outra pode sair dessa relação, as vezes com bom humor(vide Alice Ayres), com dúvidas (vide Anna) ou totalmente destruído e sozinho (vide Dan).

O destaque do filme, claro, fica sendo Natalie Portman(indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por Closer e vencedora do Globo de Ouro). Aquela garotinha que aos 11 anos brilhava no seu primeiro filme (O Proffisional, Luc Besson), aqui se torna uma stripper, que tem a ironia na ponta da língua, a aparente indiferença como marca registrada. Natalie constrói uma personagem que fica marcada na história do cinema contemporâneo, por sua delicadeza, beleza e fragilidade, o que não impede ela de tomar suas próprias decisões, como é possível ver na última cena do filme, em que ela dispensa o grande amor da sua vida, pra poder manter ao menos sua dignidade, e diz: I do not love you anymore.

Espero que vocês assistam ao filme, que é ótimo e merece ser visto. Sei que ele não agrada a gregos e troianos, mas vale a pena. Abraço especial pra Stephanne Fernandes que me pediu o filme.