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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Textura das Nuvens (Crítica: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain / 2001)

Imagine uma vida feita de açúcar.

Imagine mãos feitas de açúcar.

Sinta o cheiro doce, não do açúcar.

Escolha vidas e com suas mãos, transbordando de açúcar, toque em todas elas.

Agora voe...



“Tem coisas que a vida não muda, tem coisas que a gente quer mudar”

Fábulas. Um mundo construído por um diretor totalmente alheio a essa espécie de obra. O diretor francês Jean-Pierre Jeunet estava acostumado com obras mais sombrias como Delicatessen (1991) e Alien – A Ressurreição (1997) até o dia em que uma nova lâmpada acendeu em sua mente e ele escreveu O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain. França, 2001).
Fabuloso mesmo. Surpreendente, doce, único, singelo e, ainda, poderia ficar aqui citando madrugada afora mais um milhão de bons adjetivos para definir essa obra.

Sim, é Cinema Francês. Algumas pessoas têm certo receio com essa terra que já lançou, pelo menos no mundo cinematográfico, uma série de gênios, como Truffaut, Resnais e Godard. Cinema Francês é parado? É. Cinema Francês é cansativo? Pode ser. Mas, como é possível ver em qualquer tipo de Cinema Nacional, tudo depende do que procuramos. As características do Cinema Francês são todas tiradas do mundo das artes (onde a maior parte dos filmes do país foca) e retratá-las sem intensidade, sem reflexão e com mão leve soa muito contraditório e infiel. Daí pensei: Antes de partir para Truffaut, Godard, Catherine Deneuve, Jeanne Moreau, porque não o despretensioso Amélie Poulain? Para resumir, trago a obra de Jeunet para desmistificar o Cinema Francês na mente de algum iniciante no mundo do Cinema ou até num cinéfilo com profunda queda pelo Cinema Ianque. Aqui a arte francesa consegue ser leve, bobinha (tente achar o melhor sentido para essa palavra), emocionante, carinhosa. É uma mão, transbordando de açúcar, dentro do nosso coração.



Escrito e dirigido por Jeunet, Amélie Poulain chegou ao circuito internacional de Cinema do ano 2001 como o patinho feio (alguns definiam o filme de forma crua: desinteressante), no mesmo ano conquistou crítica, Goya, César, público (francês e do resto do mundo), tendo como fim da caminhada no ano, a rendição do Oscar à obra.

Até hoje Amélie conquista uma quantidade incalculável de pessoas, mesmo no Brasil, tamanha é a viagem proporcionada pelo filme. E isso é sublime, faz com que acreditemos na gente como humanos, como protetores, como seres capazes.

Amélie Poulain (interpretada por Audrey Tautou, força física impressionante) cresceu em meio as paranoias dos pais. Examinada pelo próprio pai, ainda criança, Amélie é erroneamente diagnosticada como uma menina com problemas cardíacos muito sérios. Por isso, Amélie foi isenta de estudar em escolas como qualquer outra criança de sua idade, cresceu sozinha, sem amigos (sua melhor amiga trata-se de uma câmera fotográfica). E nesse colapso neurótico, Amelie cresceu em completo estado de voyeurismo. Sabia da vida e das pessoas somente o que ela pôde observar.



Em função de uma infância reprimida, Amélie construiu um castelo em sua mente e ali abrigou os mais diversos sonhos e fantasias. Imaginação fértil é pouco. É uma roseira que nunca morre, dali germinou tudo o que Amélie pensa sobre o mundo e tudo o que ela pode e vai fazer por ele.

Já adulta Amélie muda-se para Montmatre e vai trabalhar como garçonete. Um dia, no seu apartamento, a jovem parisiense encontra atrás de um azulejo solto, numa caixinha, as memórias da infância de um garoto que supostamente teria vivido ali, naquele mesmo apartamento, nos anos de 1950. Após encontrar o senhor (que já aparentava ter mais de 50 anos) e ao ver a reação dele ao receber aquele tesouro, Amélie encontra uma nova razão de viver: ajudar todas as pessoas que passam pelo seu caminho. Amélie pode ser encarada como uma heroína, daquelas mais simples possíveis, sem grandes poderes e tendo como única arma a sua gloriosa imaginação.

Das formas mais inusitadas, a jovem vai ajudando seus iguais. Um casal improvável, mas que sua junção traria benefícios para uma infinidade de pessoas; um colecionador de fotos 3x4 (o ótimo Mathieu Kassovitz); um verdureiro rechaçado pelo seu patrão; uma senhora abandonada pelo marido. E nem tudo caminha com a justiça, na verdade, quase nada caminha com a verdade, mas, com tudo que Amélie julga ser certo. Da ajuda ao colecionador de fotos 3x4 surge uma paixão singela e surpreendente, que rende os melhores momentos do filme: mistura-se comédia, romance, aventura e suspense.



Jeunet acertou em quase tudo nessa obra: na escolha dos atores; na direção de arte, que é fabulosa, desde a explosão de cores até o figurino, hora, inusitado; nos efeitos de câmera, esta que nunca deixa de ser ágil e reveladora; na construção de um roteiro inovador, gótico e surreal, formando essa verdadeira fábula; na apresentação física e psicológica das personagens e no narrador, que soa ser o grande amigo de Amélie. Como se a câmera ganhasse voz e resolvesse contar a vida da senhorita Poulain.

O que merece cem capítulos à parte é a trilha sonora de Yan Tiersen. As composições de Tiersen não permanecem apenas na cena. Tem momentos que a música para de tocar (raros, pois o filme é quase que inteiramente pontuado pela Valse d’Amelie), mas, que a gente de tão imerso na história e na doçura da trilha, continuamos com todos os toques das canções na cabeça. É uma trilha que sobrevive após a projeção da película.



Amélie Poulain é esse lado mais leve, menos crítico, menos preocupado do Cinema Francês. Humano na sua veia mais profunda, fantasioso na sua primeira aparição. Depois de assistir é como se tivéssemos finalmente descoberto a sensação de deitar numa nuvem.

“Pudera eu sentir, sorrir, e ver o sorriso na face de todos que espero que sintam”.

Desculpem-me pela cópia, meus caros.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mundo de Lá (Crítica: Os Incompreendidos / 1959)



Poucos já tiveram o prazer de saber o que é Cinema. Cinema puro, sensível, delicado e de qualidade inquestionável. Cinema este que revelou uma corrente de diretores e roteiristas talentosíssimos e com uma sede de trabalhar em prol da sétima arte. Esse é o movimento artístico denominado Nouvelle Vague, que surgiu na França no fim dos anos 1950. Podemos encarar o movimento francês como parte de uma cultura de contestação dos antigos valores que ia se erguendo nos anos de 1960, como a rebeldia dos jovens representada pelo rock and roll, a liberação sexual e econômica das mulheres, contextualizando, assim, o conhecido movimento feminista.

O Cinema não ficou atrás como pode ser visto e revisto com as obras cinematográficas do movimento. A Nouvelle Vague tem entre suas maiores características ir contra os moldes pré-estabelecidos pelo Cinema norte-americano. O diretor passa a ter mais liberdade ao trabalhar com a câmera, com o próprio tema da obra, já que era válida a exploração de temas tabus na época, a experimentação de novas linguagens cinematográficas, tornando a linearidade da narrativa algo não obrigatório.



Os cineastas da Nouvelle Vague são em sua maioria todos oriundos da crítica cinematográfica, trabalhavam na revista Cahiers Du Cinema. Cinéfilos eles já eram, e resolveram arriscar atrás das câmeras, trazendo um sopro de modernidade ao modo de fazer Cinema. Vale lembrar que inicialmente os recursos para fazer o filme saíam do bolso dos próprios cineastas e de seus familiares. Entre os grandes gênios que surgiram com a fundação da Nouvelle Vague podemos citar: Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Eric Rhomer e Alain Resnais. Todos esses críticos e agora diretores tornaram-se mitos na história do Cinema Mundial.

No geral, com o novo movimento (que pode ser chamado de escola, embora os fundadores não apreciassem muito essa denominação) traz uma nova configuração ao representar o Homem nas telas. Não existe mais a representação simples de um romance por pura representação, agora existe um mergulho nas profundezas do psicológico do ser humano, festejando liberdade existencial do Homem, desde suas conquistas até suas práticas mais banais do cotidiano. E o Cinema como um todo só ganha com isso. Uma grande aquisição é a ruptura com o cinema totalmente filmado em estúdios. A humanização das práticas ganha cada vez mais espaço, trazendo para os espectadores a tão saborosa identificação com as personagens, com a história e com o mundo do cinema.

A Nouvelle Vague tem seu marco inicial com duas obras: Acossado (1959) de Godard e Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, França, 1959) de François Truffaut. Como os roteiros das duas obras pertencem a Tuffaut, ele foi considerado o grande nome do movimento. Os dois filmes estavam tocando na ferida da época: a revolução dos valores morais. Embora sejam obras que se enquadram num mesmo movimento e relativamente numa mesma temática, elas são bastante diferentes quanto ao público que se dirigem. Hoje a crítica é de Os Incompreendidos, o pequeno grande clássico de Truffaut.



Truffaut escolheu, em seu primeiro trabalho como cineasta, tentar desvendar o mundo de uma criança (12, 13 anos) que não se encaixa em nenhum lugar da sociedade, que pelo mesmo contingente é massacrado por não seguir uma constante em sua vida. Segundo alguns críticos, o personagem principal da obra Antoine Doinel é o alter-ego do diretor. Truffaut também nasceu no seio de uma família pobre que não se sustentava emocionalmente, desprezado pela mãe e pelo padrasto, Truffaut viveu nas ruas de Paris, cometeu pequenos furtos e chegou a ficar durante um tempo num reformatório. Truffaut buscou na sua própria história e na construção de Antoine uma visão compreensiva sobre o mundo de um jovem incompreendido pelos adultos. Por esse motivo, pela intenção do cineasta, acho o título nacional bem mais feliz que o francês, que numa tradução ao pé da letra seria como “pintando o sete”, o que dá um aspecto muito cômico a história. Realmente a história é repleta de momentos cômicos, mas acredito que o título nacional sugere uma amplitude muito maior quanto ao que o diretor realmente foi buscar ao rodar esse filme. É cômico, engraçado, sensível, delicado, inteligente, fascinante, biográfico. É lindo.

Antoine Doinel (Jean-Pierre Leáud, um marco) é um garoto que tem, aparentemente, seus 13 ou 14 anos. Vive na efervescência de Paris totalmente jogado aos tubarões. O padrasto volta e meia parece gostar do garoto, mas também é impaciente, não tem um diálogo considerável com o filho. A mãe (tão cabível à época: é a mulher entrando no mercado de trabalho, mas ainda insegura e, por isso, busca no adultério uma estrutura mais forte), flagrada pelo menino num ato de adultério, chantageia o garoto em prol de suas intenções, pisa na sua infância, tornando-se uma verdadeira megera em dado momento do filme. Na escola o garoto também não se encaixa, o professor é o verdadeiro carrasco da vida de Antoine.



Antoine não é um garoto bom nem mal, é simplesmente um garoto, com todos seus defeitos e tímidas qualidades, uma criança que aprendeu na rua o que supostamente é certo e o que é errado. Depois de tantos problemas na escola, e a difícil compreensão dos motivos por parte dos pais, Antoine parte para a rua, começa a cometer pequenos furtos, até ir parar num reformatório.

O carinho com que Truffaut trata a personagem é emocionante. Sem abandonar o tom naturalista, Truffaut constrói uma criança adorável, mesmo em seus erros gritantes, mas nunca, nunca mesmo, cheguei a pensar que ele podia se prostrar diante dos pais ou da autoridade de seu professor. Criamos um laço afetivo tão grande com a personagem que ele arranca risos e lágrimas discretas de nós espectadores de uma maneira muito fácil, isso é mérito do diretor, mérito desse amor entre diretor e personagem. Ressalto também que Truffaut levou a personagem para mais cinco filmes seus tamanha era sua identificação com Antoine.



A obra tem momentos cômicos e momentos extremamente sensíveis. Vale lembrar como cômico o momento em que o professor sai com os alunos por Paris numa fila indiana e um a um os alunos vão se infiltrando nos becos e prédios da cidade, numa fuga hilária do professor ditador. De cenas sensíveis, a obra é repleta. Desde a identificação da personagem com Honoré de Balzac (e o massacre feito sobre essa identificação) e a belíssima cena final, em que o garoto, correndo numa praia, para e encara a câmera. Um dos finais mais delicados e explosivos que já vi.

O resultado final é uma obra única, o herói, tão visto nos filmes convencionais, aqui é um anti-herói. Truffaut não transforma Antoine num humano digno de pena nem num garoto digno de desprezo. Transforma o garoto num problema simples. Assim, em nenhum momento a obra parece ser piegas ou extremamente melodramática. É um filme como nenhum outro, difícil de criticar, mas fácil de apaixonar-se. Truffaut dá suposta margem à entrada do menino à marginalidade sem conseqüências e sem razão, leva o menino até o ponto em que ele (Truffaut quando criança) parece que conseguiu escapar. Ninguém sabe o que vai ser de Antoine, mas todos sabem o que foi Truffaut.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Não, eu não me arrependo de nada (Crítica: Piaf - Um Hino ao Amor / 2007)

Eu não lamento nada, nem o bem nem o mal que me fizeram
Varridos os amores e todos os seus temores.
Varridos para sempre, recomeço do zero.
Pois, minha vida, minhas alegrias, começam hoje com você.




Não há como negar que a época de ouro do Cinema francês já se foi há um bom tempo. Aquela época de Godard, Catherine Deneuve e tantos outros grandes colaboradores da arte cinematográfica francesa. Porém, uma hora ou outra aparece um grande filme, ou uma grande interpretação no cinema francês como o visceral Caché (2006) com a incrível Juliette Binoche e mais recentemente o menos festejado e nem por isso menos sensacional Piaf – Um Hino ao Amor (La Môme, 2007. França).

Mais do que um bom filme, Piaf se destaca mais pelas interpretações e pela história (absurdamente trágica) que está sendo contada. Trágica sim, mas não mentirosa, é a vida de Edith Piaf, talvez a cantora mais conhecida e ouvida da França. Piaf era uma das mulheres mais gloriosas que existia nos anos 40 e 50 (hoje, em questão de personalidade, pode ser comparada a Cássia Eller, Maysa e Elis Regina). Essa cinebiografia de Edith Piaf é um verdadeiro colírio aos nossos olhos e um pardal aos nossos ouvidos.



O longa dirigido por Olivier Dahan (Rios Vermelhos 2) não é nem um pouco linear. Ele invade o passado da cantora, desvenda o futuro, de repente se encontra no meio, ignora fatos, não existe a menor obrigação em seguir uma sequência lógica, e nem por isso o diretor perdeu a mão em algum momento. O resultado é incrível. O diretor faz um verdadeiro melodrama (às vezes excessivo), recheado de cenas utópicas, em que realidade, sonho e pretensões se juntam dando resultado a uma única cena, todas extremamente carregadas de tensão e de uma trilha sonora fulgurante e que se dá de forma ininterrupta. É quase um show de horrores. Em minha opinião, o diretor peca um pouco ao construir a figura de Edith Piaf dessa maneira, pois transforma a figura da cantora numa caricatura de sofrimento e tragédia (ela sofre do momento em que nasce até o último suspiro). No final surge um pouco da sensação de que esse era o destino de Piaf mesmo, como se todas as trágicas situações de sua vida, justificassem seu fim.

Edith Piaf realmente teve uma vida sofrida. Filha de uma cantora decadente (de rua mesmo), e um pai autoritário, mas também artista, Piaf foi criada nas ruas de Paris pela avó cafetina. Logo cedo, foi vítima de uma cegueira permanente, que resultou numa linda cena para a cinebiografia da cantora, aquela em que rodeada por prostitutas, Edith, inocentemente, volta a enxergar. Edith sempre esteve ali, flertando com a decadência e seus atores sociais.



A menina já sabia de seu potencial vocal na adolescência. Vivia cantando pelas esquinas parisienses, em troca de dinheiro ou bebida, caminhava também para um processo de decadência logo cedo. Até que um sujeito a vê cantando e a convida para fazer um teste em sua casa de shows. Tímida, Edith Piaf começa o seu voo. O dono da casa de shows (interpretado no filme por Gérard Depardieu) é quem coloca o nome Piaf (pardal) em Edith, segundo ele, a garota cantava como um pardal.

A partir desse ponto segue-se no filme toda a ascensão de Piaf na vida musical,a luta para vencer a timidez, os grandes shows, o enorme prestígio que conquistara, o reconhecimento não só na França, mas que se alastrara por todo o globo. Os vícios que Piaf vai adquirindo durante sua jornada também são retratados.

E por que não os amores? O filme conta um pouco da breve história que Edith Piaf teve com o pugilista Marcel Cerdan, apesar de ser realmente breve, rendeu a melhor cena do filme. Uma alucinante viagem de dor e insanidade que a personagem tem ao saber da morte de seu grande amor e que tem como fim a figura estática de Edith Piaf num palco. Causa arrepio só de lembrar.



Também quero relembrar a cena em que Edith Piaf já totalmente afetada pela doença hepática que a vitimou (a cantora morreu aos 47 anos) ouve pela primeira vez “No, je no regrette rien", pois ”pode tirar lágrimas copiosas dos nossos olhos (aliás, a cena final do filme, em que se alternam imagens de Edith no palco com imagens de sua infância é realmente belíssima e antológica para o cinema francês).

Cheguei onde eu queria: na interpretação monstruosa de Marion Cotillard. Quando aceitou fazer o papel de Edith Piaf, a jovem atriz francesa disse que não tinha uma voz tão boa para cantar Piaf, por isso as músicas do filme são todas dubladas pela atriz. O que não deixou nada em falta no filme é só uma curiosidade mesmo. Marion não havia se destacado em nada ainda, nem no próprio cinema francês, mas mesmo assim, o filme é todo dela. Não há o que discutir. Cotillard faz tudo funcionar com a maior naturalidade possível: os movimentos da boca, o olhar (espantosamente lindo), as expressões corporais, que são todas voltadas para si, como se temesse qualquer exposição. Toda a monstruosidade dessa interpretação está na força visual que essa atriz conseguiu empreender a personagem. É a caracterização mais perfeita que eu já vi em toda minha vida, olha que não sou poucas as que existem e também são semelhantemente perfeitas: Nicole Kidman em As Horas (2002) que fez um retrato magnífico de Virginia Woolf e Helen Mirren na composição da rainha Elizabeth II em A Rainha (2006). Marion é vida, não é a toa que foi agraciada com o Oscar de Melhor Atriz e elogiada unanimemente pela crítica especializada.



O filme é longo, 140 minutos de tragédias e algumas poucas glórias, então pode ser que canse um pouco, acho que algumas cenas poderiam ter sido cortadas e, assim, reduzir-se-iam algumas partes não tão necessárias para o entendimento da vida da cantora.

Piaf é a mãe dos franceses, é a lenda urbana decadente e gloriosa da França. Sofreu as mazelas mais insanas da vida, perdeu pessoas queridas a rodo, definhou em sua própria história. Cantou se glorificando, se machucando, se matando. Construiu umas das mais belas histórias tristes que eu já vi.



Obrigado Mari.